Consultoria filosófica
 

 

Pesquisar frases neste Blog

Ouça a Poesia do Terceiro Milênio

UM POUCO DE MINHA VIDA

Eu nasci no município de Buerarema – Ba, no dia 14 de maio de 1958, em um lugarejo chamado ‘’ Fartura ’’, por ironia da vida, pois os meus pais, sendo pobres, nunca me deram uma infância farta.
Eu tinha 06 anos de idade quando saímos da área rural para morar em Buerarema, em companhia de minha avó materna e os meus tios. Mas foi por pouco tempo porque logo o meu pai chegou da região de Eunápolis onde havia debandado à algum tempo, em busca de um lugar que pudesse com a sua profissão de lavrador, reverter o quadro difícil de nossas vidas. Como ele tinha conseguido um bom pedaço de terra no ‘’ Núcleo Colonial de Porto Seguro ‘’ – próximo de Eunápolis – partimos sem demora, cheios de sonhos e esperança em um ônibus velho por aquelas estradas empoeiradas do sul e do Sudeste da Bahia. Como na época não existia a BR 101, a viagem era longa e cansativa diante do meu olhar atento e feliz, pois não sabia das dificuldades que teria de passar na minha nova jornada.
Enfim, chegamos em Eunápolis por volta das 3:00hs da manhã. Descemos do ônibus esgotados e desvalidos e nos dirigimos a uma casa nas proximidades para pernoitar. Meu pai foi logo batendo na porta e o meu mundo girou de expectativa. Não tinha dúvidas! Moraria naquela cidade. Abracei minha mãe indagando-a sobre o assunto, mas a sua resposta não chegou a ser uma decepção, porque eu achava que se ali era a residência dos amigos de meu pai, coisa igual ou até melhor estaria à minha espera no dia seguinte. Naquele resto de noite eu quase não dormir cheio de preocupações.
Ao amanhecer, seguimos viagem para o local onde meu pai havia conseguido o lote, há uns doze quilômetros da cidade. Só tinha transporte até na entrada – na agro-vila da colônia. O restante do caminho tivemos que seguir à pé. Nada mais existia naquela zona rural, senão uma casinha coberta de palha. O velho já havia desbravado um pedaço da mata fechada e plantado milho e mandioca antes de ir buscar-nos. Faltava tudo o que era necessário em termos de sobrevivência. Fazíamos uma festa quando minha mãe chegava da feira de Eunápolis, aos sábados, e com algum dinheirinho que conseguia, com a venda de farinha, comprava alguns brinquedos ou umas roupinhas novas para nós. A minha maior felicidade foi no dia em que ela nos informou que começaríamos os nossos estudos na sede da colônia. Mesmo sabendo que teríamos de andar os doze quilômetros diários, que era o percurso de ida e volta, não me importei. Estava pronto para começar uma vida nova. Pela primeira vez, eu iria freqüentar um ambiente escolar, já com sete anos de idade.
Não esqueço a capela que ficava ao lado da escola, a qual, na hora do recreio eu passava a maior parte do tempo observando os movimentos do padre. “Ele deveria saber quem era aquele velhinho de barbas brancas chamado Deus, conforme dizia a minha mãe", pensava eu.  É claro que ela não me convencia, eu tinha certeza que Deus era muito mais do que as suas palavras simples. A minha curiosidade não tinha limite a esse respeito, apesar da minha pouca idade. As afirmações de minha mãe que o demônio morava no inferno e punia impiedosamente, até um pensamento ruim, me deixava fervendo de medo. Não foram poucas as noites que acordei assustado, em pânico, em decorrência daqueles comentários. Via, em sonho, aqueles seres de rabo e chifre vindo em minha direção. Tenebrosos e cruéis procuravam a qualquer custo agarrar-me com seus tridentes horríveis. Mas eu escapulia, alçando-me na atmosfera aproveitando os mecanismos da volitação. E eles lá de baixo lançavam raios magnéticos para atingir-me. Por vezes acertavam-me, e eu debandava céu-abaixo despertando-me de súbito com um grito pavoroso!
Minha infância foi marcada por esse tipo de informação. O medo as vezes me fazia pensar em recuar de viver, mas por outro lado eu queria descobrir Deus e, o único jeito seria viver, pois se eu morresse poderia ser que fosse para o inferno, pelo motivo de algum pensamento mal que passava, de vez em quando, pela minha cabeça. E minha mãe sempre foi taxativa nesse seu método doutrinário.
O céu noturno me fascinava e eu perdia horas contemplando a imensidão silenciosa do cosmos. Não sabia que as estrela eram sóis distantes que formavam outros sistemas solares. Contentava-me, apenas, com a idéia que elas estavam lá no firmamento para ilustrar a noite dos homens, assim como a lua para dá mais romantismo aos casais apaixonados. Minha mãe afirmava sempre que ela servia de morada para S. Jorge e apontava convicta para os seus relevos montanhosos afirmando ser a imagem do Santo. Foi uma decepção muito grande para todos nós, a notícia de que o homem havia conquistado a lua. A incerteza da existência de Deus foi a primeira coisa a tomar conta dos meus pensamentos. No entanto, ficava bastante intrigado com o fato da existência do diabo e não de Deus. Podia está incorreto aquele conceito e procurava desvendar o assunto olhando todos os dias em um livro bem grande de capa dura com ilustrações coloridas intitulado: “A vida de Jesus”, que minha mãe tinha desde a mocidade. Esse livro era a minha diversão no pouquíssimo tempo que me restava naquela vida difícil da roça. Eu devia a mim mesmo a questão da descoberta desse mistério, já que o demônio me convencia, pelo fato de ser um dogma da igreja, e era apresentado como assassino do filho de Deus em cumplicidade com os judeus. E se o filho de Deus era o próprio Deus de acordo com a igreja, eu estava quase convicto da sua inexistência. Imagine, a minha maneira de ver os fatos na infância, quando não compreendia direito, os mecanismos da ressurreição da maneira que a igreja explicava.
A saudade, às vezes, me arrebata até aquele lugar e me perco naqueles dias; nos meus sonhos de criança que chegaram a transpor os contratempos que a vida nos impôs, o que é natural para a realidade evolutiva em que vivemos. Eu e meu irmão éramos duas crianças cheias de fantasia. A escola sempre foi a nossa única esperança de liberdade e também um meio para que eu pudesse ter uma idéia satisfatória a respeito da existência de um Criador. Estava decidido: no futuro iria para a faculdade e me tornaria padre. A teologia seria o caminho mais seguro para que eu pudesse persistir nos meus propósitos. Essa notícia ecoou como uma bomba nos ouvidos de meu pai. O cigarro quase caiu dos seus dedos amarelados. Temia não ter neto, se eu persistisse naquela vocação.
Finalmente, depois de alguns anos, eu tive de mudar-me para Eunápolis com objetivo de cursar o ginasial. Minha mãe, depois de ter se separado de meu pai, pela segunda vez, trabalhava num hotel chamado S. Lourenço, na Av. Porto Seguro. Eu passei a estudar e residir com ela nesse hotel em troca de serviços prestados, como tirar água da cisterna todas as manhãs, por exemplo, para os afazeres do quotidiano! Mas me sentia feliz pelo fato de morar na cidade e de ter deixado de trabalhar na roça com o nosso pai, todos os dias, depois que chegávamos da escola cansados. Não existia coisa pior para mim!
Infelizmente, como o ginásio era particular, não agüentamos pagar e tive que sair da escola, pela falta de uma escola pública. Como já tínhamos saído do hotel, morávamos em uma casinha que alugamos, a qual, eu pagava com o dinheiro que conseguia pegando frete das madames, na feira, com um carinho de mão. A nossa situação crítica chamou à atenção de “seu” Alexandre, um amigo de idade avançada, que nos convidou para morar em sua casa, pois era doente e morava sozinho. Quando tinha de ir a Salvador fazer algum tratamento médico, sua casa ficava fechada. O convite do saudoso amigo para que eu viajasse com ele, foi a minha primeira oportunidade de conhecer a capital da Bahia. A sua promessa de me arranjar emprego de balconista em um barzinho do largo do ouro, no bairro da Liberdade, deu certo e eu fiquei morando no próprio emprego, próximo de onde ele ficou hospedado na casa de sua filha. Nessa época eu estava com 13 anos de idade.
A capital baiana me proporcionou um mundo totalmente diferente do que eu vivia no interior. Lembro-me que não me contive de emoção ao conhecer o centro da cidade, ao ver aqueles grandes edifícios de pertinho, os quais, só via em ilustrações de revistas. Fiquei suspenso, fora de mim, olhando atônito para o alto, sem dá conta de onde eu estava, sendo surpreendido pelo meu colega, que me advertiu quanto a um possível atropelamento, se eu continuasse daquele jeito. O elevador Lacerda deixou-me de coração acelerado ante à resistência de descer para a cidade baixa. Eu parecia um cão sem dono assustado pelo meio da rua.
Naquela noite, ao retornarmos, não conseguir dormir com milhões de planos na cabeça. O que mais doía era a saudade de minha mãe e o sentimento sem trégua de solidão. Terminei retornando para Eunápolis e esse “vai–e–vem” durou por algum tempo, pois fiquei dividido entre a minha família e a grande metrópole, a qual, eu havia me apaixonado e tinha como um dos meus objetivos levar minha mãe e meu irmão em definitivo para lá, já que o meu pai havia constituído outra família e jamais sairia da roça. Sonho, esse, que se realizou mais tarde quando minha mãe já tinha se mudado para a casa de minha avó em Buerarema.
Nunca deixei de dedicar parte da minha vida à literatura e às coisas espirituais. Desde menino que eu escrevia cartas apaixonadas para as minhas pretendentes e as letras de música que tomavam todo o pouco tempo que eu tinha, aspirando um dia tornar-me um escritor de verdade. O tempo foi passando e esse objetivo foi se consolidando com o meu primeiro livro, publicado no ano de 1983, intitulado: “Ecosegos”, de poesias espiritualistas, com um expressivo apoio da imprensa, como entrevistas em televísão e jornal, por exemplo. No final de 1998, publiquei o meu segundo livro: “A Era do Espírito Santo na Trajetória da Consciência”, de pesquisa espiritualista em relação à nova era, com ampla divulgação na mídia com propagandas, em revista de circulação nacional, em televisão local, além de matérias na imprensa escrita. Também sou autor de um romance, ainda inédito, intitulado LIÇÃO DAS ESTRELAS que conta uma versão diferente da vida de Moisés.  Um ano depois da publicação do meu segundo livro, resolvi, então, entrar para a faculdade de Teologia, não com o objetivo de ser padre, como no meu sonho de criança, para a felicidade do meu pai, mas para tornar-me um Teólogo, confirmando a seriedade e a persistência dos meus propósitos de infância, quando escrevi o terceiro livro: “Os Discos Voadores na Bíblia’’, (este ainda inédito) que é, na verdade uma exegese histórico-elucidativo, gramático-elucidativo, bíblico-elucidativo e analítico-comparativo de textos bíblicos com indícios da presença de espaçonaves extraterrestres na Bíblia, e proposições colocadas em tese, visando trazer a Ufologia para a esfera da ciência teológica, em conseqüência de um estudo cuidadoso da Bíblia, depois de muitos anos de pesquisa e reflexão em busca de um significado lógico acerca de seus personagens enigmáticos, a qual, eu a classifiquei de Teologia Pluralista, porque entendo que Teologia, é a ciência de investigação das revelações de Deus, segundo os tempos, levando em consideração as pluralidade das existências, de acordo com o que a razão nos apresenta.
A questão literária, mesmo antes do meu primeiro livro, conforme expliquei anteriormente, levou-me cada vez mais a tomar gosto pela carreira artística. Envolvendo-me, desde cedo, com a música, participei em Salvador, de alguns festivais estudantis, como intérprete e compositor, até tornar-me produtor de artístico, produzindo desde 1986 até a data atual, espetáculos de grandes artistas da MPB, no Brasil e exterior.
Atualmente, sou formando em Letras, pela Universidade Cidade de São Paulo e encontro-me escrevendo para o meu Blog FRASES QUE CURAM,  palavras de reflexão, que me deixam  bastante feliz, principalmente, com a manifestação de agradecimento dos leitores, fazendo-me crê que estou no caminho certo.
Considero que as minhas obras são  passos importantes em minha vida, que vem me separando dos dias de menino, ao longo de toda a minha trajetória em busca de desvendar Deus. Analisando a maneira como eu conduzir toda a minha caminhada, posso afirmar com toda franqueza do mundo, que quando criança eu era um menino com anseios de adulto. E hoje, como adulto, respondendo a uma grande parcela das minhas perguntas, considero-me um menino sempre querendo saber mais, mesmo porque as respostas não são convincentes, partindo do pressuposto de que a Verdade ainda não é absoluta para o homem terreno. Enfim, desvendar Deus da maneira que eu cogitava é uma “possibilidade-impossível” e não faz mais parte dos meus planos imediatos. Pois, no dia em que Ele for desvendado, deixará de ser Deus. Contudo, assim como para Ele nada é impossível, para nós seres terrenos, o impossível é, definitivamente, instrumento de possibilidades infinitas de nossa busca incansável do Ilimitado.
No momento, tenho plena consciência dos meus objetivos. Tenho uma vida eterna e bastante força em manter os pés no chão, pois nunca gostei muito de ficar grudado nos problemas do cotidiano. Sempre preferir vê-los das alturas, porque a visão do alto nos proporciona uma tomada geral dos sentidos e nos faz perder a referência das coisas pequenas, como o orgulho e o egoísmo, por exemplo, e nos dá a sensibilidade de compreendermos – não as coisas pequenas – mas as pequenas coisas que Jesus, no sermão do monte, tanto defendeu como regras para se conseguir grandes vôos em direção da Terra Prometida.